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Universidade FM: difusão de cultura e educação pelas ondas do rádio


Por Liliam Freitas

Uma rádio com fins educativos e culturais que tem uma programação selecionada e divulga a cultura local teria público? A Universidade FM, que este ano completa 23 anos, mostra que sim.

Dayse Brito, 50 anos, moradora do Bequimão, acompanha a rádio desde a fundação. “No inicio, era música, música. Não havia propaganda. Comecei a ouvir mais com os programas de vestibular”, ressalta.

Segundo o responsável pela coordenação de núcleos da rádio desde 2000, Paulo Pellegrini, de 21 de outubro de 1986, data em que oficialmente a Rádio Universidade FM iniciou suas transmissões, aos dias atuais o cenário da emissora mudou. “A rádio se profissionalizou mais. Passou a ter funcionários com vínculos empregatícios com a Fundação Sousândrade, dona legal da rádio”.

Ele explica que antes era feita mais por voluntários que vinham abnegadamente trazer material e colocar a rádio no ar. Professores e alunos faziam de tudo; eram locutores e produtores ao mesmo tempo. Hoje, as pessoas que aqui trabalham não são mais voluntários. A emissora ficou mais profissional e se universalizou dentro da linha que sempre se impôs. “Ela adequou sua programação a critérios mercadológicos e culturais com a realidade local”, diz Pellegrini.

O público da rádio, segundo o coordenador de núcleos, é variado. A própria academia, professores, estudantes e profissionais liberais que não estão exatamente na classe A em termos financeiros. A 106,9 chega à periferia e possui ouvintes cativos no Itaqui-Bacanga, na Cidade Operária, no Maiobão e em Ribamar. Totaliza nessas áreas mais ouvintes que em zonas nobres, como Turu e Calhau. Em São Luís, existe um fenômeno. O poder aquisitivo não determina a preocupação em adquirir conhecimento. Uma coisa não tem a ver com a outra. A rádio atinge mais quem não tem poder aquisitivo”, revela Pellegrini.

Muitos maranhenses que estão fora do estado, em Brasília ou até fora do país acompanham a rádio e o estado pelo site. Eles também enviam sua programação do ouvinte. “Há a identificação da rádio com o Maranhão. Ela divulga o que acontece aqui na cultura e na ciência”, afirma. O maior evento de premiação para os agentes culturais do Maranhão é promovido pela 106,9, o Prêmio Universidade FM. Todo ano ele acontece em meados de dezembro. Ele surgiu em 1997 e premia o melhor CD, a melhor música, o melhor interprete, o melhor show, dentre diversas categorias.

Sendo uma emissora sócio-educativa, não toca tudo. A rádio segue uma linha e tem uma equipe de programadores que discute o que vai ao ar. “A Universidade FM tem o diferencial em tocar música de qualidade. Só em não tocar ´lixo cultural´ é uma grande qualidade, além disso, valoriza a música maranhense.”, declara o estudante Eder Cruz. Uma marca da rádio universitária é divulgar a cultura maranhense, ao contrário das outras emissoras. Eis um ponto que é elogiado pelos ouvintes. Outra questão que gera polêmica é sobre o que não toca, como Roberto Carlos, Fábio Júnior, Joana, Rosana, Zé Augusto, estilos como forró eletrônico e axé. De acordo com Paulo, é a escolha da rádio que segue diversos critérios. “Não é preconceito. É a linha da rádio”, pondera.

A programação musical da emissora é elaborada por produtores. Não são os ouvintes ou o próprio locutor que a faz. Há uma equipe especial para esse trabalho como deveria ser em todas emissoras. Do outro lado, ouvintes exigentes. “Eles ligam para elogiar e para dizer que não gostaram das músicas”, conta Pellegrini. As escolhas do que veicular não são fáceis. “A música já caiu na vala comum do sapato, da roupa, da caneta. Virou mercadoria total. Virou indústria cultural, produção em série”, analisa.

SOBREVIVÊNCIA - Desde 1998, a Universidade FM começou a captar recurso como outra rádio comercial, através dos anúncios. “A rádio nunca foi incluída no orçamento da UFMA. De 1986 a 1998, os gastos foram se tornando maiores” explica. A solução de sobrevivência encontrada foi essa. A rigor, a lei não permite, mas todas as rádios educativas se utilizam desse mecanismo. Por isso a lei está sendo revista.

Na concepção do coordenador de núcleos, não há um “contra-senso” entre ser educativa e veicular publicidade. Ele exemplifica ao citar a TV Futura e a TV Brasil, que continuam sendo de cunho educativo e divulgam propaganda. A rádio congrega uma programação que passeia pelas músicas de produção maranhense a internacional e jornalismo. Na 106,9, uma grade pensada para os ouvintes com os programas especiais como Momento Literário, Opus, Vida Ativa, Estação Cinema; os jornalísticos, Rádio Opinião, Radio Cidadã, Rádio Ciência e os informativos de hora em hora; dentre outros.

CAMPO DE ESTÁGIO




[Estagiários da Universidade FM]

A Universidade FM também é um campo para os estudantes da Universidade Federal do Maranhão que queriam estagiar. A emissora recebe acadêmicos dos cursos de Comunicação Social, Biblioteconomia, Letras, Artes, Engenharia Elétrica e Ciência da Computação.

Daniela Moreira, aluna do Curso de Comunicação Social com habilitação Rádio e TV estagiou por dois anos na Universidade FM. Este é o tempo máximo. Ela passou um ano na programação musical, depois foi para o jornalismo. Fez alguns trabalhos para produção e no estágio curricular, voltou para onde estava. Ela conta como foi a experiência. “Eu adorava estagiar na rádio. O clima é ótimo. O aprendizado é muito grande. A gente aprende mais sobre a nossa cultura e o exercício da profissão. Além disso, temos liberdade de criar de sugerir de conhecer os outros setores. Eu aprendi também o que é profissionalismo, responsabilidade, comprometimento. Foi uma verdadeira escola”.

EMBRIÃO - O embrião da Universidade FM foi um projeto técnico elaborado por três professores: José Ribamar Nascimento, Guilherme Jorge de Resende e Lúcio Araújo da Cunha. A equipe tentou encontrá-los, mas como estão aposentados, dificultou o contato.

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Frank Lima